As conquistas, os desafios e uma longa jornada de luta para as mulheres

Há mais de cem anos, mulheres na Europa, Asia e nos Estados Unidos e demais partes do mundo “ousaram” levantar bandeiras e se organizarem contra a opressão e exploração no mundo do trabalho. Um dos motivos das mobilizações eram reduzir uma jornada exaustiva de 17, 12, 10 horas diárias sem nada de direitos. Em Nova Yorque, em 1819, cerca de 130 trabalhadoras de uma fábrica de tecidos formam covardemente queimadas, presas em uma fábrica por policias e patrões. Esta tragédia entre outros acontecimentos marcou na história a instituição do Dia Internacional da Mulher. Em outros cantos do mundo, tantos milhares sofriam com outras formas de violência em casa, na rua, na escola. E isso não acabou. “O fato é que as conquistas em diversos espaços devem ser comemoradas com certeza, mas ainda é muito pouco para nós mulheres.Precisamos continuar mobilizando porque os problemas persistem”, pontua a presidente do Sindicato dos Bancários, Dirceia de Mello Locatelli.

Conforme ela, assim como na categoria bancária, os salários e as chefias nas mãos femininas são menores mesmo exercendo a mesma função dos homens.“Sofremos o preconceito de gênero, somos menos valorizadas e com condições de trabalho mais precárias comente por sermos mulheres”, avalia a presidente. Dirceia ainda destaca o aumento do feminicídio e todos os demais tipos de violência sofridos pela mulher. Para a sindicalista este dia pode ser de homenagens, flores, presentes. Porém, deve ser principalmente um dia de reflexão e de confiança na nossa capacidade para seguirmos na busca do nosso respeito e dignidade.

ORIGEM DA DATA – É celebrada oficialmente desde 1975, mas sua origem remonta do início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos. Em 1789 com a Revolução Industrial e a entrada da mulher no mundo do trabalho, as jornadas eram de 17 horas diárias. Em 1819, após enfrentamento da polícia contra os trabalhadores, a Inglaterra aprova uma lei que reduz para 12 horas a jornada das mulheres e dos menores entre 9 e 16 anos. Na mesma época nos Estados Unidos, as mulheres lutavam por uma jornada de 10 horas. Então 129 tecelãs pararam as atividades em manifestação e, na repressão da polícia se esconderam dentro das fábricas. No dia 8 de março, a polícia e os patrões trancaram as portas da fábrica e atearam fogo matando carbonizadas as trabalhadoras. Mais de 100 anos depois, o 8 de março foi declarado como o Dia Internacional da Mulher na II Conferência Internacional de Mulheres em 1910 na Dinamarca.

Principais conquistas das mulheres trabalhadoras ao longo da história

1932 – Getúlio Vargas promulga o novo Código Eleitoral garantindo o voto as mulheres brasileiras;

1943 – O direito à licença-maternidade foi regulamentado com a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). As mulheres podiam ficar 84 dias afastadas do trabalho e o salário era pago pelo empregador. Em 1973, por recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a remuneração passou a ser quitada pela Previdência Social (INSS). Em 1988, com a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), as mulheres passaram a ter garantia de estabilidade de emprego, antes e logo depois da gestação. Além disso, ampliou-se o período da licença maternidade de 84 para 120 dias

1985 – Criação da primeira Delegacia da Mulher no Brasil;

1988 – Pausas para amamentar até seis meses de vida da criança;

1990 – Eleita a primeira mulher senadora: Júnia Maris – PDT(MG);

1994 – Roseana Sarney é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro: Maranhão – Reeleita em 2014;

2006 – Lei Maria da Penha de proteção a mulher contra a violência doméstica (11.340) entra em vigor. Em 2021, a Lei nº 14.188, de 29 de julho de 2021, incluído no Código Penal o crime de violência psicológica contra mulher.

2010 – Dilma Rousseff é eleita a primeira mulher presidente do Brasil. Em 2014 foi reeleita.