Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região realiza esquete teatral para alertar sobre fechamento em massa de agências bancárias

O Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região realizou, nesta quarta-feira, uma esquete teatral em frente a uma agência do Banco Bradesco no Centro de Criciúma. A ação utilizou o teatro como ferramenta de conscientização para alertar a população sobre os impactos do fechamento em massa de agências bancárias no país.

A peça, encenada pela Escola de Circo e Produções Artísticas “Viver de Circo”, buscou traduzir em linguagem acessível e emocional as dificuldades enfrentadas por milhares de brasileiros, especialmente idosos e moradores de cidades do interior, com o fechamento de unidades bancárias. Através de personagens reais e diálogos cotidianos, a encenação destacou a exclusão digital de quem não tem acesso ou familiaridade com a tecnologia, o medo de realizar transações por aplicativos e a realidade de comunidades que ficam completamente desassistidas.

Dados Nacionais Apoiam o Protesto

A esquete teatral foi respaldada por dados nacionais divulgados pelo próprio sindicato. Segundo informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Banco Bradesco foi responsável pelo fechamento de 342 agências, 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócio entre julho de 2024 e junho de 2025. Esse número representa quase 38% de todas as agências fechadas no sistema financeiro nacional no período.

Em contraste com essa drástica redução da presença física, o banco continua a reportar lucros bilionários, levantando críticas sobre a priorização do resultado financeiro em detrimento do serviço público e do emprego.

Impacto Social e Trabalhista

Para o Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região, a justificativa dos bancos de uma “adequação de mercado” esconde um problema mais profundo. Em nota, o Sindicato dos Bancários de Criciúma argumenta que a estratégia, na prática, significa “ajustar custos às custas da exclusão bancária e da precarização do trabalho”.

A coordenadora da comissão dos empregados, Érica de Oliveira, foi enfática: “O digital serve como alternativa, não uma imposição. Na hora da dificuldade, o cliente quer conversar com o bancário, não com a tela. O recurso é do cliente, e ele deve ter o direito de escolher”.

Segundo o Presidente do Sindicato dos Bancários de Criciúma e Região Magno Branco Pacheco, “o ato é um apelo para que a sociedade se una aos bancários neste dia 19 de novembro, para protestar contra a precarização do serviço bancário, exigindo que o Bradesco cumpra seu papel de prestador de serviço e garanta atendimento de qualidade à população em especial aos aposentados.”

Além do prejuízo ao consumidor, a reestruturação também gera um grave impacto no emprego. Dados das federações que compõem a Contraf-CUT indicam que 2.564 trabalhadores foram demitidos apenas no primeiro semestre de 2025. Para os que permanecem nas agências, a carga de trabalho e a pressão por metas aumentam, cenário que contribui para o adoecimento da categoria.

Outro ponto criticado é a transferência de serviços para correspondentes bancários, que, segundo o sindicato, operam com estrutura frágil e mão de obra sem a proteção da convenção coletiva de trabalho, precarizando ainda mais o atendimento.

A esquete teatral em Criciúma integra uma série de mobilizações do “Dia Nacional de Lutas” da categoria bancária, que ocorrem em todo o país para denunciar o fechamento de agências, as demissões em massa e a precarização dos serviços.

 

SEEBC