Resultado bilionário é impulsionado pelo crédito e pelas tarifas bancárias, mas vem acompanhado de redução do quadro de funcionários e aumento das despesas com inadimplência
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 12,282 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROE) no Brasil alcançou 26,4%, alta de 2,7 pontos percentuais em doze meses, evidenciando a elevada lucratividade do maior banco privado do país.
De acordo com o relatório financeiro, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento de 4,5% da margem financeira com clientes, resultado do maior volume de crédito e da ampliação da participação de produtos mais rentáveis, com destaque para crédito imobiliário, consignado privado e linhas voltadas a pequenas e médias empresas.
Apesar do resultado positivo, o banco informou que a antecipação do pagamento de dividendos ao final de 2025 gerou impacto negativo pontual no resultado.
Leia aqui os destaques completos feitos pelo Dieese
Crédito cresce e inadimplência permanece estável
A carteira total de crédito do Itaú cresceu 7,2% em doze meses, embora tenha apresentado leve retração de 0,5% no trimestre, totalizando R$ 1,483 trilhão. No segmento de pessoas físicas, a carteira atingiu R$ 479,5 bilhões, com destaque para:
- Crédito imobiliário (+11,2%)
- Cartão de crédito (+8,2%)
- Crédito consignado (+6,1%)
Entre as empresas, o crédito para grandes companhias somou R$ 454,8 bilhões, crescimento de 6,9% em relação a março de 2025. Já as operações destinadas a micro, pequenas e médias empresas alcançaram R$ 302,8 bilhões, com expansão de 10,9% no período.
A taxa de inadimplência superior a 90 dias permaneceu estável em 1,9%. Mesmo assim, as despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD) aumentaram 8,1% em um ano e 64,2% no trimestre, totalizando R$ 10,164 bilhões.
Tarifas seguem sustentando resultados
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias chegaram a aproximadamente R$ 12,5 bilhões, crescimento de 4,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
As despesas de pessoal — incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) — somaram R$ 8,6 bilhões, alta de 8,1%. Ainda assim, apenas as receitas de tarifas foram suficientes para cobrir 144,9% dessas despesas, reforçando o peso das cobranças bancárias na sustentação dos lucros.
Lucro cresce enquanto emprego bancário encolhe
- Mesmo com resultados recordes, o Itaú manteve a política de redução da estrutura física e do quadro de trabalhadores. Ao final de março de 2026, o banco possuía 81.659 empregados no Brasil, após o fechamento de:
- 4.620 postos de trabalho em 12 meses
- 1.034 vagas apenas no trimestre
- No mesmo período, foram encerradas 360 agências físicas no país.
Em contrapartida, o número de clientes continuou crescendo, com aumento de 1,678 milhão, alcançando 100,9 milhões de clientes.
Movimento sindical alerta para adoecimento da categoria
Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, Valeska Pincovai, os resultados evidenciam um modelo de gestão que amplia a pressão sobre os trabalhadores. “Enquanto o lucro do Itaú cresce, aumenta também o número de bancários adoecidos. Não se trata de fragilidade individual, mas de um sistema que adoece coletivamente.”
Segundo a dirigente, o avanço da lucratividade não pode ocorrer às custas das condições de trabalho. “Transformar sofrimento humano em crescimento de lucro é inaceitável. O lucro do Itaú não pode ser sustentado às custas do adoecimento mental do trabalhador.”
Valeska ressalta que mudanças estruturais são necessárias dentro do banco. “Isso só pode ser mudado com a mudança de práticas abusivas do banco, com respeito e valorização dos funcionários.”
Lucro alto e desafios sociais
Os números do primeiro trimestre mostram um banco altamente rentável, sustentado pela expansão do crédito, aumento das tarifas e crescimento da base de clientes. Para o movimento sindical, entretanto, o contraste entre resultados bilionários e redução de empregos reforça a necessidade de debate sobre condições de trabalho, saúde mental e valorização dos bancários.
O tema deve ganhar centralidade nas próximas negociações coletivas da categoria bancária.
Fonte : Contraf-Cut