Os congressos nacionais dos empregados do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste e do Banco da Amazônia tiveram início nesta quarta-feira (17), em São Paulo, com debates sobre o papel dos bancos públicos no desenvolvimento do país, o combate ao assédio e à violência nos ambientes de trabalho e a importância estratégica das eleições de 2026 para a garantia dos direitos da categoria bancária.
Tolerância zero à violência e ao assédio
Tanto a abertura do 36º Congresso Nacional dos Funcionários e das Funcionárias do Banco do Brasil (CNFBB) quanto a do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef) foram marcadas pela leitura do manifesto “Tolerância zero para casos de violência e assédio”. O documento reafirma o compromisso da Contraf-CUT, federações e sindicatos com ambientes seguros e respeitosos, reforçando que todas as pessoas têm direito de serem tratadas com dignidade, independentemente de idade, gênero, orientação sexual, deficiência, religião ou origem étnica. Em caso de denúncias, as entidades assumem o compromisso de apurar os fatos com responsabilidade, sigilo e respeito ao devido processo.
O papel do Banco do Brasil como banco público
No CNFBB, o economista e ex-técnico do Dieese Jorge Gouvêia fez uma ampla análise sobre o sistema financeiro nacional e o papel do BB. Ele criticou o que chamou de “insulamento burocrático” do Conselho Monetário Nacional, que hoje opera sem participação ou controle social, permitindo que o sistema financeiro permaneça oligopolizado e disfuncional. Gouvêia também alertou para a mudança estratégica ocorrida no BB a partir de 2016, quando o banco passou a se definir como “Banco de Mercado com Espírito Público”, priorizando a rentabilidade e a transformação digital. “Em dez anos, de junho de 2016 a março de 2026, a rede de agências no Brasil passou de 5.428 para 3.942, e houve redução de 24.996 postos de trabalho, uma queda de 22,8%”, destacou. Para reverter esse quadro, o economista defendeu que o Estado volte a atuar como controlador ativo, assegurando que o interesse público prevaleça sobre a lógica de mercado.
Lições do sistema financeiro chinês
Já no 41º Conecef, o professor e pesquisador Marcello Rodrigues de Azevedo, doutor em Relações Internacionais pela UERJ, apresentou a experiência chinesa de utilização dos bancos públicos como instrumentos de desenvolvimento nacional. Ele destacou que a China construiu um sistema financeiro público robusto, com bancos de políticas públicas, bancos comerciais estatais e cerca de 1.650 bancos regionais de desenvolvimento. “A grande questão não é simplesmente se o banco é público ou privado. A pergunta central é: a serviço de quem esse banco atua? A serviço da especulação financeira ou do desenvolvimento nacional?”, provocou o pesquisador. Marcello também destacou que, ao contrário do que ocorre no Brasil, o sistema financeiro chinês mantém ampla rede de atendimento e emprega cerca de 1,9 milhão de trabalhadores bancários.
Eleições de 2026 e a defesa dos direitos
A abertura solene conjunta dos quatro congressos, realizada na Casa de Portugal, em São Paulo, teve como tônica a relação entre a campanha salarial e o cenário político. A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, foi enfática: “Não adiantará nada sairmos da campanha salarial com os melhores acordos possíveis se perdermos as eleições presidenciais e legislativas neste ano. O que está em disputa são dois projetos antagônicos”. O presidente do PT, Edinho Silva, também presente, alertou para a permanência do extremismo na sociedade brasileira e defendeu um projeto de país baseado na soberania nacional, na redução das desigualdades e na valorização das empresas públicas.
Saúde, condições de trabalho e unidade
Entre as prioridades apontadas pelos representantes dos trabalhadores estão o fim do teto de custeio de 6,5% do Saúde Caixa, o combate ao assédio moral e às metas abusivas, e a aplicação efetiva da NR-1 no que diz respeito aos riscos psicossociais. Os dirigentes também ressaltaram a necessidade de eleger parlamentares comprometidos com os interesses dos trabalhadores e com a defesa das empresas públicas.
Os congressos seguem até quinta-feira (18) e preparam a participação da categoria na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, que definirá as prioridades da Campanha Nacional 2026.
Fonte : Contraf-CUT