28ª Conferência Nacional dos Bancários debate renovação da CCT, emprego, tecnologia e desafios da Campanha Nacional 2026

Encontro nacional reúne representantes da categoria em São Paulo para definir prioridades da campanha salarial e estratégias de mobilização diante das transformações do sistema financeiro

A 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre os dias 19 e 21 de junho, em São Paulo, reuniu representantes dos trabalhadores do ramo financeiro de todo o país para discutir os desafios da categoria e construir as diretrizes da Campanha Nacional Unificada 2026.

O evento ocorre em um momento de profundas transformações no sistema financeiro, marcado pelo avanço da digitalização, crescimento das fintechs, fechamento de agências, impactos da inteligência artificial sobre o emprego e aumento dos casos de adoecimento mental entre os trabalhadores.

Logo na abertura, lideranças sindicais reforçaram que a principal tarefa da categoria neste ano é a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), considerada uma das mais importantes e avançadas do Brasil, além da renovação dos acordos específicos dos bancos públicos e privados.

A presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, destacou que a categoria enfrentará importantes desafios nas negociações.

“Os bancários querem aumento real, querem uma PLR maior e melhores condições de trabalho. Vamos lutar para renovar e avançar em nossas conquistas”, afirmou.

## Defesa dos direitos e da democracia

Durante os debates, dirigentes sindicais ressaltaram que a defesa dos direitos trabalhistas está diretamente ligada à defesa da democracia e do fortalecimento da representação dos trabalhadores nos espaços institucionais.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, destacou que a renovação da Convenção Coletiva e a defesa dos direitos passam também pela construção de um ambiente político favorável aos trabalhadores.

Outro tema que ganhou destaque foi a luta pelo fim da escala 6×1 sem redução salarial, pauta que vem mobilizando diversas categorias em todo o país.

Representantes das centrais sindicais defenderam que a redução da jornada de trabalho deve fazer parte das campanhas salariais e das mobilizações da classe trabalhadora nos próximos anos.

## Consulta Nacional aponta prioridades da categoria

Os resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026 também foram apresentados durante a conferência.

O levantamento contou com quase 55 mil respostas e confirmou as principais reivindicações da categoria:

* Reposição das perdas e aumento real dos salários;
* Ampliação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
* Defesa do emprego;
* Combate às metas abusivas;
* Melhoria das condições de trabalho;
* Proteção à saúde física e mental dos trabalhadores;
* Regulamentação dos impactos das novas tecnologias no setor financeiro.

Os dados servirão de base para a elaboração da pauta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada 2026.

## Lucros recordes e fechamento de postos de trabalho

Uma das mesas de debate abordou o cenário econômico do sistema financeiro nacional.

O economista Gustavo Cavarzan, do Dieese, apresentou dados que mostram que os bancos seguem registrando resultados expressivos enquanto a população enfrenta altos níveis de endividamento.

Segundo o estudo apresentado, entre 2020 e 2025 o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional cresceu 114%.

Ao mesmo tempo, o elevado patamar da taxa Selic e os juros cobrados pelas instituições financeiras têm comprometido a renda das famílias brasileiras, especialmente por meio do crédito ao consumo.

Outro ponto debatido foi o avanço da digitalização do setor.

Dados apresentados pela economista Rosângela Vieira mostram que os cinco maiores bancos do país fecharam mais de 1.300 agências entre 2024 e 2025, enquanto milhares de postos tradicionais de trabalho foram substituídos por vagas ligadas à área de tecnologia.

A pesquisadora também alertou para o impacto dessas mudanças sobre as mulheres, que ocupam a maior parte dos cargos administrativos e de atendimento que vêm sendo eliminados.

## Conjuntura internacional e desenvolvimento nacional

A conferência também promoveu um amplo debate sobre os rumos da economia mundial e seus reflexos sobre o Brasil.

O economista José Kobori apresentou uma análise sobre a transição para uma nova ordem multipolar, marcada pelo crescimento da China, pela disputa tecnológica internacional e pelas mudanças na geopolítica global.

Kobori defendeu a importância do investimento público, da industrialização, da ciência e da tecnologia como caminhos para o desenvolvimento econômico brasileiro.

O especialista também destacou o papel estratégico do Pix para a soberania nacional, classificando o sistema de pagamentos brasileiro como uma importante infraestrutura pública que reduz a dependência do país em relação às grandes plataformas financeiras internacionais.

## Comunicação e mobilização

Outro eixo central da conferência foi a discussão sobre estratégias de comunicação e mobilização para a Campanha Nacional 2026.

Dirigentes sindicais defenderam o fortalecimento do trabalho de base, a ampliação do diálogo com os trabalhadores e o uso de novas ferramentas de comunicação para aproximar a categoria das negociações.

A avaliação predominante entre os participantes é que a unidade da categoria será decisiva para enfrentar os desafios impostos pela reestruturação do sistema financeiro e garantir avanços nas negociações coletivas.

## Próximos passos

A 28ª Conferência Nacional dos Bancários encerrou seus trabalhos com a aprovação do plano de lutas da categoria e da minuta de reivindicações que serão entregues à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

As propostas aprovadas servirão de base para a Campanha Nacional Unificada 2026, que terá como foco a defesa do emprego, a valorização dos trabalhadores, a proteção da saúde, o combate às metas abusivas e a construção de respostas para os impactos das transformações tecnológicas no setor financeiro.

A participação ativa dos bancários e bancárias em todo o país será fundamental para fortalecer a mobilização e garantir a manutenção dos direitos conquistados ao longo da história da categoria

 

Fonte :  Contraf-Cut; SEEBC